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Música Medieval


A  IDADE  MÉDIA

 

        Para começar precisamos entrar em acordo sobre o início e o fim desse período que se convencionou chamar de Idade Média. Sem nos demorarmos muito nessa questão, porque toda opção de tal ou qual barreira cronológica é sempre complicada para os os historiadores, nós vamos simplesmente assumir as barreiras históricas mais comumente aceitas. A partir daí, vamos distinguir a subdivisão do período medieval. Em seguida tentaremos traçar os paralelos desta periodização com os principais movimentos musicais da Idade Média.

        Em lugar de falar em datas precisas como limites históricos vamos falar em séculos. As datas geralmente se referem a um evento político, econômico... Esses eventos podem contribuir para a transformação da sociedade como um todo, mas essa transformação raramente se deve a um fato isolado e mais, eventos como a deposição do último imperador romano por exemplo só se deu porque a instituição do império já estava condenada. É por essa razão que o historiador da USP Hilário Franco Jr. situa a primeira Idade Média entre os séculos IV e VIII, quando começou a convivência dos romanos e dos bárbaros articulados pela Igreja. A "pluralidade política substituindo a unidade romana", a "concepção recíproca entre chefes e guerreiros" são constantes da sociedade medieval que começavam a ser delineadas nesta época. Uma temporária unidade política sob o Império franco de Carlos Magno e a aliança entre Igreja e Império caracterizariam a Alta Idade Média (meados do sec.VIII ao séc. X), período que findaria com a desestruturação deste império, acelerada pelas invasões vikings, muçulmanas e do leste europeu).

        A resposta da Europa Ocidental ao fracasso do Império Carolíngeo e às constantes invasões foi uma nova fragmentação política, era o Feudalismo que nascia e com ele a conjugação de elementos que presentes desde o século IV. É o período clássico da cavalaria, do código de honra e das obrigações recíprocas entre senhor feudal e vassalo, da expansão demográfica e econômica, das primeiras universidades, das catedrais góticas e de um novo crescimento sem precedentes das cidades, é a época das Cruzadas do renascimento cultural, notadamente o século XII. Costuma-se denominar este período de Idade Média Central.

        A Baixa Idade Média se anuncia quando o Feudalismo começa se mostrar um sistema político saturado, que não podia mais corresponder à realidade social da época. O avanço da vida urbana e mercantil faz com que alguns historiadores falem do desenvolvimento de uma "sociedade feudo-burguesa". O início do século XIV e o final do século XV podem ser considerados o outono da Idade Média, embora Hilário Franco Jr. admita o seu final somente em meados do século XVI. A razão para um final do período medieval aparentemente tardio é o paralelo que ele traça entre acontecimentos históricos dos séculos XII e XIII com aqueles do século XVI. Assim, segundo sua teoria, o Renascimento humanista guardaria uma certa relação com o Renascimento do século XII, o Protestantismo com as heresias, as Grandes Navegações com as viagens dos normandos e dos italianos e assim por diante.

        Embora esta relação entre os eventos do século XVI citados acima e aqueles ocorridos entre os séculos XII e XIV seja aceitável é inegável que o Mundo Moderno já se anunciava nesses mesmos eventos. O Absolutismo e o avanço da classe burguesa em detrimento da nobreza são outros sinais dos novos tempos.

 

                                                           Pedro Hasselmann Novaes

 

Bibliografia:

FRANCO, Hilário Júnior, A Idade Média – Nascimento do Ocidente, Editora Brasiliense - 4° edição – 1992.

 

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